segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Entrevista inédita com o polivalente escritor, jornalista, poeta, pesquisador entre outras :Assis Angelo

O amigo/parceiro Assis Ângelo concedeu esta entrevista inédita, um marco histórico para nosso blog.
O cara entre outras coisas escreveu prá lá de 10 livros, entre eles biografias de grandes brasileiros tais como: Luiz Gonzaga, Carlos Gomes, Patativa do Assaré, Demônios da Garoa e muitos outros, além de livro e CD sobre a história do futebol na Música Popular Brasileira. Enfim o homem merece uma biografia e bibliografia tantos são seus artigos para revistas, jornais e agora também nos confins da internet. E não podemos esquecer o Assis radialista, com absoluto sucesso no horário na Radio Capital com seu consagrado ( e que precisava voltar ) "São Paulo, Capital Nordeste" Então vai!



1 – Quando é que você sentiu que o seu roteiro de vida estava ligado às coisas da cultura, e particularmente da cultura brasileira?

- Isso aconteceu quando comecei a tomar ciência de que era gente, que existia. E faz tempo!


2 Você já trabalhou em jornais em áreas da política, chegou até a chefiar editorias, desencantou com a política?

- Não, a política é fundamental na vida das pessoas. Mas o fazer político não é fácil quando se pretende que seja bonito. Mas, sem dúvida, há caminhos tortuosos e feios que fazem com que os resultados sejam decepcionantes, em prejuízo ao povo e ao erário público.


3- Parece que vc era de tendência esquerda, teve problemas como vários dos seus contemporâneos, mas que eu saiba você nunca fez disso uma bandeira atrás de reparações, não ficou chorando na beira da estrada para ganhar prestigio e prendas...

- Tudo que eu tenho feito até hoje, o fiz por livre vontade. Sempre acreditei viver por uma sociedade melhor. E essa sociedade é a nossa, a brasileira. Sinto-me orgulhoso de ser brasileiro.


4- Mudando um pouco... prá nossa área.Qual foi a primeira música que você lembra ter ouvido e gostado. E qual disco foi o primeiro que comprou?

- Os primeiros sons que ouvi foram do mato, da mata, do vento e o trinado dos pássaros. Mas me encantei mesmo foi com o som das violas e o canto de improviso dos cantadores da minha terra, a Paraíba. Conheci grandes cantadores, como os irmãos Dimas e Otacílio Batista, pernambucanos já falecidos.


5- Você adora rock não é companheiro? Cita aí umas bandas boas

- Com o correr do tempo, aprendi que não devo aceitar provocações como essa que vc me faz. Porém, gosto da música que Alceu e Zé Ramalho fazem, que tem por base as histórias e sons do folclore nordestino. Fico imaginando uma interpretação da moda de viola Jorginho do Sertão, por Zé.


6- Assis, qual a importância da cultura na melhoria do Brasil?

- A cultura popular é a digital de um povo, e por assim pensar vejo nessa cultura o alinhamento dos brasileiros com o nosso País. Tenho falado muito sobre a volta da música às escolas. Tanto, que a respeito fiz até palestra no Congresso Nacional, há uns três anos. E sou há pouco que projeto a respeito foi aprovado e que a música voltará às escolas já no próximo ano. Mas é preciso capacitar os professores nessa matéria. E quando falo música, falo às músicas que enriquecem o nosso folclore, de Norte a Sul.


7- Você não ficou tentado a voltar pro Nordeste e abocanhar uma bolsa-família? Ouvi dizer que teve gente que largou o emprego aqui e voltou prá lá...

- Sempre vivi da minha profissão de jornalista. E por que voltar a morar no Nordeste se o Nordeste mora em mim, hein? Gosto daqui também, de São Paulo. Perceberam isso e até com um título de Cidadão Paulistano já fui agraciado, há uns dez anos.


8- Sei que foram muitas, mas quais entrevistas que você fez que marcaram mais ou que te emocionaram?

- Difícil lembrar. Mas sem dúvida foi marcante a entrevista que fiz com o conterrâneo Geraldo Vandré em 1978, para o suplemento Folhetim, da Folha de S.Paulo. Houve também uma longa reportagem sobre o Esquadrão da Morte, originalmente para a Folha, mas publicada no velho e bom Pasquim.


9 – Na sua opinião qual a melhor revista semanal brasileira?

- Qualquer uma, se me entende. Lendo uma, lê-se todas. São iguais, basicamente. O que as diferenciam umas das outras é a diagramação e também o papel em que são impressas. Mas a mais importante foi sem dúvida Realidade, que era da Abril, como Veja, mas de periodicidade mensal.


10 – Qual a importância de Geraldo Vandré na cultura brasileira?

- Oriundo da bossa nova, Geraldo Vandré logo percebeu que indo por esse caminho não iria a lugar nenhum. E aí foi beber na própria fonte, a fonte límpida do folclore brasileiro. E o resultado é o que se vê: uma obra musical refinada, de bom gosto e participativa do cotidiano do povo.


11- E Luiz Gonzaga?

- Embora também feita com base no nosso folclore, a obra de Gonzaga, bem mais extensa do que a de Vandré, é uma obra que toca diretamente no coração do povão. É popular sem ser popularesco. Tanto a de um quanto a do outro não fogem à temática do cotidiano. É pura arte a dos dois.


12 – E do Assis Angelo?

- Ahahaha! Sou bom no bater de palmas a novos e velhos talentos.


13- Quantos livros você já escreveu? Qual o primeiro?

- Um bocado. O primeiro foi O Brasileiro Carlos Gomes, pela Ed. Nacional, num ano qualquer dos 70.


14- Que pergunta faria novamente para o nosso Chico Buarque depois de tanto tempo?

- Grande Chico! Entre várias, perguntaria que força o leva a fazer tanta coisa bonita e se está satisfeito com o que ouve no rádio e vê na TV. Mais: se algum dia vai trocar de vez a literatura pela música.


15- Fale de alguns novos projetos. Você não para! E tome Blog todo dia!

- Um bocado. Aguardemos, não é?


16- E o mundo tem jeito, Assis?

- Claro, tudo tem jeito na vida. A primeira forma de se ajeitar este mundinho doido é tirando do poder os ditadores e alimentando e educando as populações das duas centenas de países que povoam o planeta, hoje em torno de 7 bilhões.


17- Qual a cachaça que você recomenda prá gente. A melhor é aquela do Piauí que você nos honrou conhecer? Cachaça também é cultura! É natural e brasileira concorda?

- Impossível eleger a melhor cachaça do Brasil. Minas gerais é um celeiro de boas marcas. Gosto da Boazinha, Seleta, Germana e Volúpia, que é da minha terra, a Paraíba. A Mangueira, do Piauí, que me foi apresentada por um amigo, Wilson Seraine, também é muito boa.


18- Como abrir a cabeça dos jovens para a brasilidade? Dá um toque.

- Isso não é fácil. A realidade que, grosso modo, povoa a mente dos jovens, principalmente, vem por vias eletrônicas, como o rádio e a televisão, que não oferecem uma programação de qualidade, no sentido de conteúdo e não mero divertimento, quase sempre banal e de péssimo gosto. Aliás, preferem o rádio e a TV servir lixo ao povo. Pena. A Internet também é um Deus-nos-acuda. É uma arma, uma faca de muitos gumes. Se bem usada, muito bem. Mas nem sempre a Internet é usada como instrumento para educação. De lado essas coisas, acho que a leitura ainda é um bom caminho para abrir mente de quem deseja o bom e o bem. Monteiro Lobato dizia que quem ler mais, sabe mais. É por aí. As artes abrem a mente. E já ta na hora de nos livrarmos da república norte-americana, não ta?


19- Sei da sua admiração pelo presidente Lula. No que ele difere dos outros políticos, afora o fato de ter origens humildes?

- Acho que ainda falta muito a fazer pelo Brasil. Vejo no Lula a figura de um grande administrador. É a velha história: fazer política não é fácil. Já houve quem dissesse, até, que política é a arte de unir os contrários. E nessa arte não há santo. Tanto que, lato sensu, desconheço um político que tenha sido canonizado.


20 – Por enquanto é isso Assis – teria aqui umas 1000 perguntas prá fazer, já que compartilhamos de muitas idéias – mas sei que você é um cabra ocupado e só dá entrevista com cachê (e não michê como alguns coleguinhas). Obrigado, e agora pra terminar vamos virar o jogo. Faça uma pergunta prá gente...

- Por que você, Alcides, tem medo de expor publicamente o seu pensamento?

Assis, já falo muito - pelo menos troco idéias com as pessoas, tenho capacidade de me indignar, um sentimento que deveria ser mais comum entre as pessoas - mas deixo para os jornalistas profissionais, que têm enorme importância na sociedade mostrar o que está errado, sempre com democracia e responsabilidade, assim como o camarada Assis Angelo que não sai atirando prá todo lado, antes um grande diálogo dentro do possível.

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